Prezado J.J. Abrams e demais roteiristas e produtores de LOST.
Sou cliente LOST desde 2008 e venho por meio desta documentar minha insatisfação com o serviço prestado pela série.
Longe de mim duvidar dos bons escrúpulos e boa-vontade dos senhores e das empresas do grupo prestadoras diretas ou indiretas do serviço a qual essa reclamação de dirige. Simplesmente gostaria de dar voz a minha consciência que, nesse momento, encontra-se aviltada pelo conteúdo a mim ofertado.
Eximirei de comentários negativos as 4 primeiras temporadas pois tendo-as baixado gratuitamente de sites da internet, não me vejo no direito de pedir maiores explicações sobre ursos polares, árvores arrancadas pelas raízes e demais tripulantes coadjuvantes do Oceanic original.
Porém, uma vez tendo-me associado à TV por assinatura pela qual chega a mim o conteúdo dos senhores, e, por conseguinte estando em dia com os todos os pagamentos devidos aos senhores pelos direitos e royalties cobrados, sinto-me na obrigação de aventar minha insatisfação quanto ao serviço prestado pelas temporadas 5 e 6 oferecidas pelos senhores e contratadas por mim a partir de 2008, ano já citado anteriormente.
Recuso-me a acreditar que os senhores, profissionais que são, tenham escrito o episódio final da série como se escreve uma listas de compras, dez minutos antes de sair de casa, uma vez que a complexidade da relação de vários acontecimentos descritos nas trama anterior e a necessidade de solução de todos os mistérios, devam exigir um acompanhamento tão árduo como o trabalho do continuista na produção da série.
Mas foi essa a sensação que tive quando vi o Jack, após ter restituído a misteriosa rolha que fazia jorrar a água dourada, sozinho perambulando na floresta antes de morrer. Pensei “Peraí, pra descer foi mó perrengue...mas pra subir a água dourada ajuda? Como assim?!”. Aliás, não entendi nada quando o Desmond tirou a rolha e a água parou de jorrar. Devia jorrar com mais força, não? Pelo menos é isso que acontece na minha banheira quando tiro abro o ralo...mas vai entender os mistérios que rondam essa ilha.
Aliás, a ilha escolhe seus campeões de forma muito estranha. Tudo bem o Locke ter voltado a andar quando caiu na ilha...a ilha o escolheu. E pra manter a coerência, a ilha escolheu o rolo de silvertape que o japa que ouve os mortos usou para consertar a hidráulica do avião. Mais sagaz que o McGaiver, o cara conserta um avião que caiu numa ilha apenas com a santa silvertape. Na boa, ela é tão messiânica que o próprio japa desabafa algo do tipo “In silvertape we trust”. Aliás, esse japa é um iluminado mesmo pois esta sempre na hora certa, no lugar certo e encontra a pessoa certa pra levar pro lugar mais importante do momento. Afinal, foi ele que achou o Lapidus boiando no mar quando ia em direção ao avião...mas vai entender os mistérios que rondam essa ilha.
Outra coisa, a ilha também escolhe um de Cristo pra zoar. A meu ver foi a Claire. Coitada da menina, primeiro que já chegou grávida, depois que ficou com o hobbit que acabou morrendo no meio do caminho (o que não deixa de ser bom pra ela), brigou com a protagonista, destruiu seu cabelo loiro escorrido, lá pelas tantas o filho sumiu...Deus me livre, a ilha poderia ter aliviado a barra dela. E no final, só de sacanagem, ela volta a ficar com o hobbit para toda a eternidade...que karma!
Mas sacanagem mesmo eu achei que foi com o Rodrigo Santoro. A performance do cara foi como a do Brasil na Copa de 82: no papel era imbatível, tinha apoio da massa, todo mundo achava q ia longe mas foi desclassificado logo logo. Até aí, tudo bem. Entendo que foi uma forma de criar audiência num público internacional pra render alguns trocados no começo da descida da ladeira da série. O pior é que ele não foi nem convidado pra festa final na igreja, ala final de novela da Globo: todo mundo reunido, feliz, se abraçando...e apesar de também ter sido dentro de uma igreja, faltou um casamento coletivo. Aliás, perdeu uma boa oportunidade de agradar o público brasileiro que já antevia isso e uma cena final do Ben internado num manicômio.
E , por fim, o que me deixou mais indignado foi quando caiu a ficha que o resto não tinha mesmo explicação. Venho tentando achar um porque para todas as informações dos flashbacks, das realidades paralelas, da metafísica e só consigo chegar a uma explicação plausível: a existência deles na ilha era um reflexo do ego individual em uma superposição alusiva ás suas realidades correntes e contemporâneas, desembocando um fluxo imaterial de dissoluções e ressoluções de realidade, em cuja aplicabilidade das leis da natureza reverte e reverbera em sintonia com um plano mental intermediário onde a realidade se molda frente a um esforço de vontade e que liga todos os personagens num vértice meta-esquizofrênico.
Quando cheguei a essa conclusão, percebi que todo o objetivo da série já estava contido no próprio título e foi o que entregou no final: enfim, Lost.
Após todas as razões acima descritas, gostaria de informar que estou descontinuando minha assiduidade á série Fashfoward, também de autoria dos senhores e que, por vias secindárias, já fui informado que vão deixar no meio do caminho e que, aguardo ansiosamente que o Spielberg ensine a vocês como contar uma história até o fim, já que é com ele a vossa mais nova incursão no meio áudio-visual no filme “Super 8”.
Sem mais, subscrevo-me.
Fabio Minervini
quarta-feira, 26 de maio de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Cada escolha pressupõe uma perda
Cada escolha pressupõe uma perda
A cada momento que nos deparamos com a difícil tarefa de abrir mão de alguma coisa em prol de outra nosso pobre coração vacila. E é exatamente essa característica que nos diferencia dos outros seres vivos que nos causa mais sofrimento. A nossa consciência treinada pelo tempo a acumular e ter, se contorce toda vez que nos é imposta uma decisão. Evitamos a escolha na medida em que a decisão pressupõe uma perda. E o peso da perda nos angustia e assombra.
Curioso que exatamente essa nossa função (ou ilusão, como alguns preferem) é ao mesmo tempo nossa cruz e nossa redenção. A mesma consciência que nos estimula ao racional, ao cartesiano, a concreto, também nos impõe a projeção, a possibilidade, o abstrato. Somos os únicos na Terra que precisam justificar suas escolhas e aceitar suas consequencias. As opções nos torturam. Não há sofrimento na rosa cuja missão é perfumar nosso jardim. O peixe não sofre em sua submissa entrega ao anzol. Não ha angústia nas árvores ao produzirem suas sobras e frutos. Qual a nossa missão?
Por outro lado, precisamos a todo momento achar algo superior ou mais importante que justifique nossas escolhas e nos amenize o sofrimento causado pelas perdas que elas pressupõem. Nesse quesito, cada um tem para si critérios específicos. Mas para todos pesa a responsabilidade inerente a cada mudança de curso e, dessa forma, pode-se escolher a a semeadura, mas a colheita é obrigatória. Talvez seja esse mais um motivo que nos afaste delas. A vida sempre é mais simples sem elas. Se podemos ter tudo, o que há para sofrer?
Nossa conscência, então, nos empurra no caminho inverso e sofremos pela impossibilidade, por nossa peuliar pequenez. Queremos abraçar o mundo, mas somos formigas abraçando sequóias. E a consciência dessa pequenez nos dói e, mais uma vez, nos empurra na direção oposta.
Hoje ainda mais, diante de tantas opções, decidir é perder cada vez mais. Neste exato momento, pensem a infinidade de coisas perddas enquanto você lê este texto. Espero ter valido à pena.
A cada momento que nos deparamos com a difícil tarefa de abrir mão de alguma coisa em prol de outra nosso pobre coração vacila. E é exatamente essa característica que nos diferencia dos outros seres vivos que nos causa mais sofrimento. A nossa consciência treinada pelo tempo a acumular e ter, se contorce toda vez que nos é imposta uma decisão. Evitamos a escolha na medida em que a decisão pressupõe uma perda. E o peso da perda nos angustia e assombra.
Curioso que exatamente essa nossa função (ou ilusão, como alguns preferem) é ao mesmo tempo nossa cruz e nossa redenção. A mesma consciência que nos estimula ao racional, ao cartesiano, a concreto, também nos impõe a projeção, a possibilidade, o abstrato. Somos os únicos na Terra que precisam justificar suas escolhas e aceitar suas consequencias. As opções nos torturam. Não há sofrimento na rosa cuja missão é perfumar nosso jardim. O peixe não sofre em sua submissa entrega ao anzol. Não ha angústia nas árvores ao produzirem suas sobras e frutos. Qual a nossa missão?
Por outro lado, precisamos a todo momento achar algo superior ou mais importante que justifique nossas escolhas e nos amenize o sofrimento causado pelas perdas que elas pressupõem. Nesse quesito, cada um tem para si critérios específicos. Mas para todos pesa a responsabilidade inerente a cada mudança de curso e, dessa forma, pode-se escolher a a semeadura, mas a colheita é obrigatória. Talvez seja esse mais um motivo que nos afaste delas. A vida sempre é mais simples sem elas. Se podemos ter tudo, o que há para sofrer?
Nossa conscência, então, nos empurra no caminho inverso e sofremos pela impossibilidade, por nossa peuliar pequenez. Queremos abraçar o mundo, mas somos formigas abraçando sequóias. E a consciência dessa pequenez nos dói e, mais uma vez, nos empurra na direção oposta.
Hoje ainda mais, diante de tantas opções, decidir é perder cada vez mais. Neste exato momento, pensem a infinidade de coisas perddas enquanto você lê este texto. Espero ter valido à pena.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Reminiscências do ano velho
Na última semana de 2009, reservo-me o direito de gastar algumas horas para refletir sobre o que aconteceu de bom e de ruim durante seus 365 dias.
Lembro como se fosse hoje do suor apreensivo que escorria no canto da testa de economistas internacionais tentando explicar (e do restante tentando entender) o que estava acontecendo com a economia mundial. Depois de anos de bom agouro e lucros irreais, a ecologia econômica mostrava sua força num tsunami de quebradeiras ao redor do globo. Sem distinção de credo, cor e principalmente de renda, vimos em colapso um dos maiores conglomerados endinheirados, um ícone de confiabilidade, o Lehamnn Brothers e tudo que nele estava de alguma forma atrelado.
Não vou aqui perder tempo explicando o que aconteceu. O que passou, passou. Já era. Chorem-se as saudades dos mortos e os dólares voláteis que sumiram. O futuro acabou nos reservando outras surpresas mais interessantes.
Aqui no Brasil, sentimos também essa apreensão e, contradizendo alguns e corroborando outros, até que passamos ligeiramente incólumes à sacudida. É claro que empresas puxaram alguns freios, como o digam as montadoras que, mais à frente no ano, choraram como viúvas arrependidas por terem mandado embora mais da metade do seu efetivo. Nós, pobres mortais, por nossa vez, nos aproveitamos de algumas retomadas. Carros ficaram mais baratos, reformar a casa ficou mais barato, geladeiras ficaram mais baratas e, agora já no fimzinho do ano, até móveis ficaram mais baratos. No final das contas, bem como um filme panfletário da guerra fria, a derrota do capitalismo foi a vitória do povo!
Em compensação, no olho do furacão, o novo presidente teve um perrengue de estréia para se ocupar. Teve que abrir o bolso, reformar alguns vazamentos aqui e ali (pois é, lá isso tb acontece), até que no final do ano está querendo fazer um grande SUS para curar o crescente número de americanos cardíacos que vem crescendo desde setembro de 2008. Pra piorar a sensação de hecatombe e o sentimento de fragilidade (afinal, americano pra sentir medo só mexendo nos prédios ou no bolso), em janeiro um avião voltou a cair em NY...dessa vez no Rio Hudson. Um dejá vu macabro para a memória recente desse povo tão sofrido.
Mas voltando ao nosso umbigo, o primeiro trimestre passou como um susto, nos revelando um alívio imediato, mas vão. A nossa hecatombe é interna mesmo. O Brasil tende a se implodir e não explodir. Experimentamos mais um ano de impotência política e descrédito pelas instituições. Foi polícia desviando droga, político desviando verba, rio desviado para o lado errado (como diria Ney Matogrosso: "Lá vai São Francisco tão pobrezinho...”
Enfim, nesse quesito se formos pensar melhor, não houve novidade. Talvez o fato mais inusitado seja o deputado que tinha um castelo. Perdoado pelo conselho de ética, não por menos, uma vez que foi este foi presidido pelo deputado Nazareno Fonteneles (PT-PI)...não havia o que esperar além do perdão do nazareno. Esse deputado deve ter rezado mesmo um bocado em sua capela particular na ala oeste de seu castelo de 25milhões de reais em São João Nepumoceno, Minas, lugar onde ele deveria estar pois esteve ausente do Plenário em 14% seções da Câmara.
O ano de 2009 também foi o ano das redes sociais. Foi só promover uma briga de egos dentro de uma delas e, pronto, todo mundo agora quer bater boca publico-secretamente. Nunca se falou tanto em Twitter, Facebook, YouTube etc...Até o já bom e velho Orkut passou por uma repaginada pra atrair de novo a galera que o estava deixando por outros mais novos, mais bonitos e tão interessantes quanto. Mas mania virtual do ano mesmo foi bater boca no Twitter. Tendência revelada nos EUA (claro!) começou quando Lindsay Lohan quis lavar suas calcinhas sujas na rede com sua amante a DJ Samantha Ronson (aliás, se não fosse pela morte do Michael Jackson, a menina levaria o troféu de celebridade bizarra do ano, seguida bem de perto pela Amy Winehouse). Daí em diante foi um Deus nos acuda. Teve desde pseudo-celebridades até as anãs brancas de maior magnitude se rosnando pela web. Nem a rainha dos baixinhos ficou de fora, colocando as garrinhas de tigresa de meia-idade de fora contra seus próprios seguidores só porque eles criticaram o fato de os posts serem feitos em caixa alta e a Sasha ter postado mensagens com erros de português. Convenhamos, que rainha merece uma corte dessas?
Mas o bate-boca mais bizarro mesmo foi o do nosso ex-presidente Collor com o imortal (não por conta da Academia Brasileira de Letras, mas porque vaso ruim é duro de quebrar) Pedro Simon. Antes de tudo, diria que o diálogo foi quase shakesperiano, não fossem as notas machadianas nas colocações do segundo e a baba satânica no canto da boca do primeiro. Foi a primeira vez que um debate no Senado me prendeu a atenção. Aprendi que meu vernáculo está longe de ser amplo e que, sim, temos muito que aprender em termos de impropérios com nossos representantes civis. Bufando no microfone, após ter sido acusado de relações impróprias (no sentido político, é claro) com o Deputado Renan Calheiros nosso ex-piloto de jet-ski soltou pérolas como “essa casa (referindo-se ao Senado) não haverá de se agachar sobre pressões seja da mídia seja do senhor (referindo-se ao próprio Pedro Simon) nem de quem mais esteja deblaterando como o senhor deblatera, parlapatão que é, desta tribuna”. Mais uma vez nossos dirigentes mostram que são extremamente bem preparados para o que fazem.
Como o final de um filme B, esse fato acontecido no meio do ano foi esquecido. Agora, lembrado mesmo foi o filme 2012! Pela primeira vez Hollywood resolver mexer com o Cristo! Ah...nosso Cristo Redentor foi só ter sido reconhecido como uma maravilha do mundo moderno para merecer ser destruído pelas forças da natureza que consumiram o mundo na película. Não há nada mais grandioso para uma nação do que ter seu monumento mais famoso abalado por uma tragédia hollywoodiana. Bravo, Brasil! Não é pra menos que o filme bateu todos os recordes de audiência no oriente! Acostumados a ver apenas Tóquio ser destruída por répteis gigantes, a queda de monumentos ao redor do mundo (viva à globalização) foi um maná para aqueles olhinhos puxados. A única dúvida é que catástrofes nos esperam agora que o Rio vai sediar Olimpíadas e Copa do Mundo. E só para registrar para a posteridade o pensamento do ano: "Com Copa em 2014 e Olimpíadas em 2016, o Governo do RJ está planejando enforcar 2015". Esse é o espírito.
Mas quem, pra mim, levou o Oscar do ano não foi “Slumdog Millionaire” mas sim “Se beber, não case”. Quase censurado no Brasil, o filme é uma obra-prima que relata a mais traumática mudança de fase na vida de um homem: deixar a infância prolongada e entrar na vida de adulto com todas as frustrações que ela gera. Fenomenal. Mesmo tendo sua inteligibilidade muito maior no público masculino, o que talvez tenha afetado seu desempenho em venda de ingresso, o filme trata de forma magistral o último dia de solteiro da vida de um rapaz normal, como qualquer outro e conta o que acontece (com somente uma pitadinha de exagero) o que acontece quando amigos muito amigos se juntam inconsequentemente, o que acontece com freqüência.
Por fim, e me disciplinando para terminar porque esse post poderia virar um romance de Victor Hugo, queria apenas citar que 2009 foi um ano para se lembrar. Repleto de histórias memoráveis, ganhou o direito de 2 horas de dedicação para este blog que, também tendo estreado neste ano, contribuiu para que fosse inesquecível. Só nos resta agora a ressaca que nos espera em 2010.
Lembro como se fosse hoje do suor apreensivo que escorria no canto da testa de economistas internacionais tentando explicar (e do restante tentando entender) o que estava acontecendo com a economia mundial. Depois de anos de bom agouro e lucros irreais, a ecologia econômica mostrava sua força num tsunami de quebradeiras ao redor do globo. Sem distinção de credo, cor e principalmente de renda, vimos em colapso um dos maiores conglomerados endinheirados, um ícone de confiabilidade, o Lehamnn Brothers e tudo que nele estava de alguma forma atrelado.
Não vou aqui perder tempo explicando o que aconteceu. O que passou, passou. Já era. Chorem-se as saudades dos mortos e os dólares voláteis que sumiram. O futuro acabou nos reservando outras surpresas mais interessantes.
Aqui no Brasil, sentimos também essa apreensão e, contradizendo alguns e corroborando outros, até que passamos ligeiramente incólumes à sacudida. É claro que empresas puxaram alguns freios, como o digam as montadoras que, mais à frente no ano, choraram como viúvas arrependidas por terem mandado embora mais da metade do seu efetivo. Nós, pobres mortais, por nossa vez, nos aproveitamos de algumas retomadas. Carros ficaram mais baratos, reformar a casa ficou mais barato, geladeiras ficaram mais baratas e, agora já no fimzinho do ano, até móveis ficaram mais baratos. No final das contas, bem como um filme panfletário da guerra fria, a derrota do capitalismo foi a vitória do povo!
Em compensação, no olho do furacão, o novo presidente teve um perrengue de estréia para se ocupar. Teve que abrir o bolso, reformar alguns vazamentos aqui e ali (pois é, lá isso tb acontece), até que no final do ano está querendo fazer um grande SUS para curar o crescente número de americanos cardíacos que vem crescendo desde setembro de 2008. Pra piorar a sensação de hecatombe e o sentimento de fragilidade (afinal, americano pra sentir medo só mexendo nos prédios ou no bolso), em janeiro um avião voltou a cair em NY...dessa vez no Rio Hudson. Um dejá vu macabro para a memória recente desse povo tão sofrido.
Mas voltando ao nosso umbigo, o primeiro trimestre passou como um susto, nos revelando um alívio imediato, mas vão. A nossa hecatombe é interna mesmo. O Brasil tende a se implodir e não explodir. Experimentamos mais um ano de impotência política e descrédito pelas instituições. Foi polícia desviando droga, político desviando verba, rio desviado para o lado errado (como diria Ney Matogrosso: "Lá vai São Francisco tão pobrezinho...”
Enfim, nesse quesito se formos pensar melhor, não houve novidade. Talvez o fato mais inusitado seja o deputado que tinha um castelo. Perdoado pelo conselho de ética, não por menos, uma vez que foi este foi presidido pelo deputado Nazareno Fonteneles (PT-PI)...não havia o que esperar além do perdão do nazareno. Esse deputado deve ter rezado mesmo um bocado em sua capela particular na ala oeste de seu castelo de 25milhões de reais em São João Nepumoceno, Minas, lugar onde ele deveria estar pois esteve ausente do Plenário em 14% seções da Câmara.
O ano de 2009 também foi o ano das redes sociais. Foi só promover uma briga de egos dentro de uma delas e, pronto, todo mundo agora quer bater boca publico-secretamente. Nunca se falou tanto em Twitter, Facebook, YouTube etc...Até o já bom e velho Orkut passou por uma repaginada pra atrair de novo a galera que o estava deixando por outros mais novos, mais bonitos e tão interessantes quanto. Mas mania virtual do ano mesmo foi bater boca no Twitter. Tendência revelada nos EUA (claro!) começou quando Lindsay Lohan quis lavar suas calcinhas sujas na rede com sua amante a DJ Samantha Ronson (aliás, se não fosse pela morte do Michael Jackson, a menina levaria o troféu de celebridade bizarra do ano, seguida bem de perto pela Amy Winehouse). Daí em diante foi um Deus nos acuda. Teve desde pseudo-celebridades até as anãs brancas de maior magnitude se rosnando pela web. Nem a rainha dos baixinhos ficou de fora, colocando as garrinhas de tigresa de meia-idade de fora contra seus próprios seguidores só porque eles criticaram o fato de os posts serem feitos em caixa alta e a Sasha ter postado mensagens com erros de português. Convenhamos, que rainha merece uma corte dessas?
Mas o bate-boca mais bizarro mesmo foi o do nosso ex-presidente Collor com o imortal (não por conta da Academia Brasileira de Letras, mas porque vaso ruim é duro de quebrar) Pedro Simon. Antes de tudo, diria que o diálogo foi quase shakesperiano, não fossem as notas machadianas nas colocações do segundo e a baba satânica no canto da boca do primeiro. Foi a primeira vez que um debate no Senado me prendeu a atenção. Aprendi que meu vernáculo está longe de ser amplo e que, sim, temos muito que aprender em termos de impropérios com nossos representantes civis. Bufando no microfone, após ter sido acusado de relações impróprias (no sentido político, é claro) com o Deputado Renan Calheiros nosso ex-piloto de jet-ski soltou pérolas como “essa casa (referindo-se ao Senado) não haverá de se agachar sobre pressões seja da mídia seja do senhor (referindo-se ao próprio Pedro Simon) nem de quem mais esteja deblaterando como o senhor deblatera, parlapatão que é, desta tribuna”. Mais uma vez nossos dirigentes mostram que são extremamente bem preparados para o que fazem.
Mas quem, pra mim, levou o Oscar do ano não foi “Slumdog Millionaire” mas sim “Se beber, não case”. Quase censurado no Brasil, o filme é uma obra-prima que relata a mais traumática mudança de fase na vida de um homem: deixar a infância prolongada e entrar na vida de adulto com todas as frustrações que ela gera. Fenomenal. Mesmo tendo sua inteligibilidade muito maior no público masculino, o que talvez tenha afetado seu desempenho em venda de ingresso, o filme trata de forma magistral o último dia de solteiro da vida de um rapaz normal, como qualquer outro e conta o que acontece (com somente uma pitadinha de exagero) o que acontece quando amigos muito amigos se juntam inconsequentemente, o que acontece com freqüência.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Eu torço sim...
Após um outubro calado e obscuro, volto a essas "páginas" batendo no peito e dizendo: Eu torço sim!
Vamos então começar pelo que interessa: sou tricolor. E como a maioria dos tricolores, andei gris nesses últimos meses acompanhando o Brasileirão 2009.
Num início de ano arrasador, ainda ressentidos com a quase-conquista da Libertadores, até acreditamos que o time renderia bons momentos durante o ano. Mas, características de uma tribo, os tricolores começaram a minguar às ruas na medida em que os resultados não vinham.
E não vieram por muito tempo. Ameaçado de reibaixamento durante praticamente toda a competição, o Flu vem tentando uma sequencia positiva de resultados para garantir vaga na 1ª divisão de 2010. E parece estar dado certo. Sem perder desde 07/10 (quando empatou com o Corinthians em 1 x 1 no Maraca), o Flu vem crescendo de produtividade e promete (como odeio essa palavra) gerar bons resultados nessas últimas rodadas.
Ainda com confrontos importantes pela frente (Palmeira aqui e Sport lá) o Flu tem que torcer não só para que sua atrasada boa fase permaneça mas tb para outros resultados!
Ainda assim, podemos contar com outras torcidas a nosso favor. Não sei se é bom ou não, mas já ouvi muito rubro-negro torcendo pro Flu em jogos importantes para eles. Não me admiraria ve-los lotando os estádios nos próximos jogos, todos cantando "Neeeeennnnnsssseeee!"
Mas tudo isso foi pra dizer: Eu torço sim! E bato no peito dizendo que comprei nesse final de semana uma camisa oficial do Flu! Promoção no Outlet da Adidas, 49 pratas. É preço de 2ª divisão...
Vamos então começar pelo que interessa: sou tricolor. E como a maioria dos tricolores, andei gris nesses últimos meses acompanhando o Brasileirão 2009.
Num início de ano arrasador, ainda ressentidos com a quase-conquista da Libertadores, até acreditamos que o time renderia bons momentos durante o ano. Mas, características de uma tribo, os tricolores começaram a minguar às ruas na medida em que os resultados não vinham.
E não vieram por muito tempo. Ameaçado de reibaixamento durante praticamente toda a competição, o Flu vem tentando uma sequencia positiva de resultados para garantir vaga na 1ª divisão de 2010. E parece estar dado certo. Sem perder desde 07/10 (quando empatou com o Corinthians em 1 x 1 no Maraca), o Flu vem crescendo de produtividade e promete (como odeio essa palavra) gerar bons resultados nessas últimas rodadas.
Ainda com confrontos importantes pela frente (Palmeira aqui e Sport lá) o Flu tem que torcer não só para que sua atrasada boa fase permaneça mas tb para outros resultados!
Ainda assim, podemos contar com outras torcidas a nosso favor. Não sei se é bom ou não, mas já ouvi muito rubro-negro torcendo pro Flu em jogos importantes para eles. Não me admiraria ve-los lotando os estádios nos próximos jogos, todos cantando "Neeeeennnnnsssseeee!"
Mas tudo isso foi pra dizer: Eu torço sim! E bato no peito dizendo que comprei nesse final de semana uma camisa oficial do Flu! Promoção no Outlet da Adidas, 49 pratas. É preço de 2ª divisão...
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Toda mudez será castigada
Dentre tragédias, mortes e enchentes, essa notícia me chamou a atenção: Folha de São Paulo e Rede Globo emitem cartilhas que orientam o uso de redes sociais pelos seus funcionários: http://migre.me/7uW6.
À princípio fiquei apenas curioso. Qual seria o motivo para grandes conglomerados de comunicação nacionais estarem limitando ou organizando ou impondo qualquer tipo de censura aos seus próprios funcionários? Foi então que minha curiosidade se transformou em bestificação. Segundo a matéria da INFO, a Rede Globo restringe a a "divulgação ou comentários sobre temas direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à Globo; ao mercado de mídia ou qualquer outra informação e conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Globo" . Ou seja, se um conrtra-regra tem um blog sobre efeitos sonoros e dá uma dica de como ele resolveu um problema no dia-a-dia...Não, dar dica do dia-a-dia da Globo não pode mais!
Numa boa, serei o último a levantar qualquer bandeira contra a censura ou à favor da liberdade de expressão ou qualquer posição politizada que seja. Mas me estranha que empresas que lidam com informação queiram restringir sua circulação dessa forma autoritária. Ainda mais num momento onde o mundo clama por informação gratuita!
Até entendo a postura restritiva numa tentativa de preservar o conteúdo exclusivo de seu material. Porém, hoje em dia, já provou-se que, sendo o material de excelente qualidade, há quem pague por ele (ou por uma extensão dele) o preço que for. Vide o iTunes por exemplo! Muita coisa grátis, muita coisa paga e o modelo está vivinho da silva. Vide o Google! Informação toda de graça e há quem pague para aparecer primeiro ou associado a aluns tópicos. Veja o Radiohead banda de rock que lançou seu CD na Internet e o internauta diz que preço quer pagar!
Enfim, segundo a lei da evolução das espécies do mercado: o mais adaptado prevalecerá, acho que a medida de Folha e Globo é um ato de desespero para manter um modelo que, eles mesmos já sabem, está a caminho do fim. Pior é que denuncia uma preferência pela mediocridade paga ao invés da excelência gratuita. Como diz um amigo meu: " a era do empurra acabou".
À princípio fiquei apenas curioso. Qual seria o motivo para grandes conglomerados de comunicação nacionais estarem limitando ou organizando ou impondo qualquer tipo de censura aos seus próprios funcionários? Foi então que minha curiosidade se transformou em bestificação. Segundo a matéria da INFO, a Rede Globo restringe a a "divulgação ou comentários sobre temas direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à Globo; ao mercado de mídia ou qualquer outra informação e conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Globo" . Ou seja, se um conrtra-regra tem um blog sobre efeitos sonoros e dá uma dica de como ele resolveu um problema no dia-a-dia...Não, dar dica do dia-a-dia da Globo não pode mais!
CONTRA-REGRA
Numa boa, serei o último a levantar qualquer bandeira contra a censura ou à favor da liberdade de expressão ou qualquer posição politizada que seja. Mas me estranha que empresas que lidam com informação queiram restringir sua circulação dessa forma autoritária. Ainda mais num momento onde o mundo clama por informação gratuita!
Até entendo a postura restritiva numa tentativa de preservar o conteúdo exclusivo de seu material. Porém, hoje em dia, já provou-se que, sendo o material de excelente qualidade, há quem pague por ele (ou por uma extensão dele) o preço que for. Vide o iTunes por exemplo! Muita coisa grátis, muita coisa paga e o modelo está vivinho da silva. Vide o Google! Informação toda de graça e há quem pague para aparecer primeiro ou associado a aluns tópicos. Veja o Radiohead banda de rock que lançou seu CD na Internet e o internauta diz que preço quer pagar!
CD DO RADIOHEAD
Enfim, segundo a lei da evolução das espécies do mercado: o mais adaptado prevalecerá, acho que a medida de Folha e Globo é um ato de desespero para manter um modelo que, eles mesmos já sabem, está a caminho do fim. Pior é que denuncia uma preferência pela mediocridade paga ao invés da excelência gratuita. Como diz um amigo meu: " a era do empurra acabou".
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Pinball Wizard
Hoje pela manhã um leve tilintar nas minhas partes baixas chamou minha atenção. Para acalmar os mais assanhados, vou logo dizendo...são fichas. Para informar os mais moderninhos, falo logo: sim, fichas. Fichas de fliperama! Quando eu era pequeno, pagava-se tudo com fichas. De passagem de ônibus a ligações nos orelhões. Teve até um Presidente que pedia pra gente jutar as "fichas do caixa"..ele queria fazer de nós todos fiscais de sua inflação galopante.
Mas isso é outra estória. O que importa é que nesse final de semana, fui num fliperama. Moderno, cheio de jogos de esporte, ficção e violência. Até aí, nada de mais. Na verdade, fui procurando um pula-pula para minha filha de 1 ano. Claro, hoje em dia é lógico que fliperamas tem pula-pula. Imaginem há algum tempo atrás, pré-adolescentes revoltados, ouvindo metal dividindo o espaço com mamães, bebês, mamadeiras e pula-pulas. Hoje não...tudo pode, tudo é holístico. A receita do bom negócio é agradar a todos. Por isso, estava eu lá no moderno fliperama na busca pelo pula-pula.
Não achei exatamente um pula-pula, mas tinha uma máquina, um simulador de corrida que movia tanto o banco que, na boa, poderia-se dizer que era um pula-pula...ou um vira-vira...ou um mexe-mexe...acalmem-se novamente os assanhados.
Imbuído então de espírito rejuvenescente, fui até a banquinha e pedi algumas fichas. A menina então abriu um sorrisinho e me informou que eu teria que comprar um cartão. Peraí, cartão!? Não quero fidelidade..pelo menos não aqui nem agora! Que diabos eu vou fazer com um cartão? São as fichas - disse a atendente. E como eu faço pra tirar as fichas? Passa na maquininha e ela cospe. Pensei, deve fazer algum sentido ela não me dar agora..segurança para as criaças não engolirem, talvez.
Fui. Peguei meu cartão com a caroça do Curinga fazendo a encarar-me horrenda e passei na maquininha. Fiquei feliz, ela cuspiu-me 5 fichas. Beleza. Cadê a máquina do carro? Voltei lá e procurei a boca onde se põe a ficha...uma vez...dus vezes...cadê essa merda? Em vez disso, um sensor vermelho brilhava sob meu olhar desavisado. Era a boca...não uma boca engolidora de fichas mas uma lambedora de cartões! Uma chupadora de créditos! Levei algum tempo até processar a minha situação...órfão das minhas referências. Tentei desfarçar a cara de bunda...olhei pra um lado e para outro para ver se alguma outra máquina tinha a boca que eu queria...mas nada. Todas eram máquinas de ponta, alta tecnologia, high-tech-DVD-blu-ray-process. Ou algo parecido. Só eu era analógico ali.
Com vergonha até de pedir meus "créditos" de volta...fui até um cantinho onde as máquinas mais idosas se escondiam. Lá, jogos de azar aceitaram o que eu tinha para lhes dar...mas só me deram algumas piscadelas verdes e amarelas, uns toques estridentes e mais nada.
Saí, com minha filha nos ombros, pois se eu não tinha o poder de transformar as máquinas do fliperama, ela tem o poder de transformar pai em pula-pula.
FICHAS DE FLIPERAMA
Não achei exatamente um pula-pula, mas tinha uma máquina, um simulador de corrida que movia tanto o banco que, na boa, poderia-se dizer que era um pula-pula...ou um vira-vira...ou um mexe-mexe...acalmem-se novamente os assanhados.
Imbuído então de espírito rejuvenescente, fui até a banquinha e pedi algumas fichas. A menina então abriu um sorrisinho e me informou que eu teria que comprar um cartão. Peraí, cartão!? Não quero fidelidade..pelo menos não aqui nem agora! Que diabos eu vou fazer com um cartão? São as fichas - disse a atendente. E como eu faço pra tirar as fichas? Passa na maquininha e ela cospe. Pensei, deve fazer algum sentido ela não me dar agora..segurança para as criaças não engolirem, talvez.
Fui. Peguei meu cartão com a caroça do Curinga fazendo a encarar-me horrenda e passei na maquininha. Fiquei feliz, ela cuspiu-me 5 fichas. Beleza. Cadê a máquina do carro? Voltei lá e procurei a boca onde se põe a ficha...uma vez...dus vezes...cadê essa merda? Em vez disso, um sensor vermelho brilhava sob meu olhar desavisado. Era a boca...não uma boca engolidora de fichas mas uma lambedora de cartões! Uma chupadora de créditos! Levei algum tempo até processar a minha situação...órfão das minhas referências. Tentei desfarçar a cara de bunda...olhei pra um lado e para outro para ver se alguma outra máquina tinha a boca que eu queria...mas nada. Todas eram máquinas de ponta, alta tecnologia, high-tech-DVD-blu-ray-process. Ou algo parecido. Só eu era analógico ali.
BOCA ENGOLIDORA DE FICHAS
Com vergonha até de pedir meus "créditos" de volta...fui até um cantinho onde as máquinas mais idosas se escondiam. Lá, jogos de azar aceitaram o que eu tinha para lhes dar...mas só me deram algumas piscadelas verdes e amarelas, uns toques estridentes e mais nada.
Saí, com minha filha nos ombros, pois se eu não tinha o poder de transformar as máquinas do fliperama, ela tem o poder de transformar pai em pula-pula.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
The song will never remain the same
O mundo está mudando. Essa frase é tão batida que já se ouvia há 2000 anos AC. Aliás, um dos significados das pinturas rupestres de Lascaux significavam já isso!
Pode ser apenas o sinal da idade chegando, mas fato é que junto com essa constatação trágica, vem também a necessidade de fazer algum registro do modo neo-jurássico deste que vos fala. Trocando em miúdos, tenho aqui uma oportunidade de deixar um legado sobre as inutilidades da vida...ou da minha vida, que pode muito bem ser da sua também.
Dito isso, continuo...o mundo está mudando. Me dei conta disso quando vi o certificado de óbito do CD. Quem tem mais de 50 anos tavez já tenha sofrido pela morte de outros utensílios do dia-a-dia como maquinas de escrever, telefones de disco, etc. Mesmo tendo usado algumas vezes essas coisas, confesso que não cheguei a apegar-me tanto a elas e sua passagem, que Deus as tenha, não me afetou.
Por outro lado, outro dia caiu a ficha que faz uns 20 anos, pelo menos, que não adquiro um CD deflorado. Digo deflorado em contra-ponto ao CD virgem! Aquele que ainda temos que usar em alguns gadgets fadados à morte. O virgem é figurinha fácil..tá em qualquer lugar, com qualquer conteúdo. Do baile funk ao clássico, do pornô ao noir. Enfim, desses ninguém tem saudade ainda.
Eu tô falando daquele CD que a gente ficava juntando trocado pra comprar...que vinha com aquele livrinho que, mesmo não tendo nada, gostávamos de segurar enquanto degustávamos o CD pelas primeiras vezes. Esse sim morreu e ninguém sente saudade. Lembro que o primeiro CD que eu comprei foi do Pink Floyd: The Final Cut. Caralho! Como fiquei feliz nesse dia. Parecia até que eu estava fazendo alguma coisa proibida de tão pilhado! Fui na lojinha, onde eu achei ele mais barato, e com dinheiro mesmo paguei a compra. Saí de lá e a primeira coisa que fiz, ainda no ônibus, foi tirar o selo amarelo de "Preço Facil" que vinha colado. Daí em diante foi êxtase por mais ou menos uns 2 meses.
Já o último já foi uma compra mais consciente. Renaissance - Scheherazade and Other Stories. Um disco clássico da banda com 5 faixas...preço? 50 reais! Imbuído do senso de colecionador, engoli à seco e paguei. Recebi o produto uns 3 dias depois num pacote que deve ter feito a volta ao mundo de tanto selo e carimbo que tinha! No meio desses 3 dias entre comprar e receber (que tb é tema para outro post!!) descobri um site na Internet chamado Mininova! E minha vida mudou! Pra quem não conhece, o Mininova é um maná de tudo que vc já pensou em conseguir de vídeo, música, programas, imagens...é a versão mais que melhorada do E-Mule. Enfim, perdi uns 20 minutos descobrindo como a parada funciona e, para testar, tentei baixar o MP3 do disco que haviada acabado de comprar Renaissance - Scheherazade and Other Stories. Surpresa a minha...estava com as 5 faixas em menos de 10 minutos na minha máquina!
E foi assim que o CD entrou na UTI. Sim, pois ainda tinha alguma chance de sobrevivência...caso o som fosse ruim, chiado, etc...mas nem perto disso. Tão bom quanto o CD em si, adotei de vez o MP3 e o download ilegal! Agora quando baixo alguma coisa da Internet, me vem aquela mesma sensação de quando comprei o primeiro CD. Só que agora estou realmente na ilegalidade!
Pode ser apenas o sinal da idade chegando, mas fato é que junto com essa constatação trágica, vem também a necessidade de fazer algum registro do modo neo-jurássico deste que vos fala. Trocando em miúdos, tenho aqui uma oportunidade de deixar um legado sobre as inutilidades da vida...ou da minha vida, que pode muito bem ser da sua também.
Dito isso, continuo...o mundo está mudando. Me dei conta disso quando vi o certificado de óbito do CD. Quem tem mais de 50 anos tavez já tenha sofrido pela morte de outros utensílios do dia-a-dia como maquinas de escrever, telefones de disco, etc. Mesmo tendo usado algumas vezes essas coisas, confesso que não cheguei a apegar-me tanto a elas e sua passagem, que Deus as tenha, não me afetou.
Por outro lado, outro dia caiu a ficha que faz uns 20 anos, pelo menos, que não adquiro um CD deflorado. Digo deflorado em contra-ponto ao CD virgem! Aquele que ainda temos que usar em alguns gadgets fadados à morte. O virgem é figurinha fácil..tá em qualquer lugar, com qualquer conteúdo. Do baile funk ao clássico, do pornô ao noir. Enfim, desses ninguém tem saudade ainda.
Eu tô falando daquele CD que a gente ficava juntando trocado pra comprar...que vinha com aquele livrinho que, mesmo não tendo nada, gostávamos de segurar enquanto degustávamos o CD pelas primeiras vezes. Esse sim morreu e ninguém sente saudade. Lembro que o primeiro CD que eu comprei foi do Pink Floyd: The Final Cut. Caralho! Como fiquei feliz nesse dia. Parecia até que eu estava fazendo alguma coisa proibida de tão pilhado! Fui na lojinha, onde eu achei ele mais barato, e com dinheiro mesmo paguei a compra. Saí de lá e a primeira coisa que fiz, ainda no ônibus, foi tirar o selo amarelo de "Preço Facil" que vinha colado. Daí em diante foi êxtase por mais ou menos uns 2 meses.
PINK FLOYD - THE FINAL CUT
RENAISSANCE - SCHEHERAZADE AND OTHER STORIES
E foi assim que o CD entrou na UTI. Sim, pois ainda tinha alguma chance de sobrevivência...caso o som fosse ruim, chiado, etc...mas nem perto disso. Tão bom quanto o CD em si, adotei de vez o MP3 e o download ilegal! Agora quando baixo alguma coisa da Internet, me vem aquela mesma sensação de quando comprei o primeiro CD. Só que agora estou realmente na ilegalidade!
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